Todos os posts
💞 Relacionamentos

O que é um situationship? A diferença para um relacionamento

Não são nem amigos nem namorados. Vamos explicar o que exatamente é um “situationship”, por que se tornou tão comum e para onde está evoluindo.

Por Equipe editorial do QuizCupid2 de setembro de 20266 min de leitura

O que é um situationship? A diferença para um relacionamento

Vocês trocam mensagens o tempo todo, se encontram nos fins de semana, e pode ser que um tenha deixado a escova de dentes na casa do outro. Mas, quando alguém pergunta “quem é essa pessoa?”, você tem dificuldade em responder. Não diz nem “meu namorado”, nem “somos só amigos”. Foi exatamente para preencher essa lacuna que, nos últimos anos, surgiu um nome: “situationship”. O termo é novo, mas o sentimento não; para quem já viveu essa mesma incerteza antes, este texto funciona como um espelho.

A palavra ‘amor’ é geralmente definida como um substantivo; no entanto, aqueles que refletem com mais perspicácia sobre o amor reconhecem que podemos amar melhor quando a usamos como um verbo.

bell hooks, All About Love: New Visions (2000)

O que significa exatamente “situationship”?

O termo “situationship” descreve uma situação em que há uma proximidade romântica e, geralmente, física entre duas pessoas, mas as partes não definem isso explicitamente como um “relacionamento”. Vocês fazem praticamente tudo o que um casal faz — sair para encontros, se ver regularmente, trocar mensagens e, às vezes, até passar a noite juntos —, mas não há um rótulo: não aparecem juntos nas redes sociais, não são apresentados aos amigos como “namorados” e não se fala sobre o futuro. Isso cria um contraste curioso com a observação de bell hooks acima: enquanto hooks tenta tirar o amor de um nome e transformá-lo em um verbo, o “situationship” faz exatamente o contrário, não permitindo que o verbo (tudo o que se vive juntos) se transforme em um nome (uma definição).

De onde surgiu e por que se tornou tão comum?

Embora o termo seja recente na gíria da internet, o sociólogo Zygmunt Bauman já havia descrito algo muito semelhante a essa situação em 2003, anos antes de o conceito ter sido nomeado. Em seu livro “Liquid Love: On the Frailty of Human Bonds” (Polity, 2003), Bauman descreve como o indivíduo moderno se vê preso entre, por um lado, o desejo de estabelecer laços de proximidade e, por outro, o desejo de fugir dos compromissos que essa proximidade acarreta; segundo ele, na “modernidade líquida”, os relacionamentos são estabelecidos de forma que seja fácil entrar e sair deles, pois todos hesitam em fechar as portas às opções que têm à disposição. A sensação de opções infinitas oferecida pelos aplicativos de namoro, a crescente frequência de mudanças de emprego e de cidade, e a popularização do conceito de “fobia de compromisso” na cultura popular — tudo isso aponta na mesma direção: definir algo com clareza parece um risco que fecha as portas para as outras possibilidades que a pessoa tem à disposição.

Qual é exatamente a diferença em relação a um relacionamento?

A diferença entre os dois não está no comportamento, mas na clareza. Em um relacionamento, as partes já se declararam o que são uma para a outra; isso funciona como um contrato verbal, que deixa claras as expectativas (como fidelidade, planos para o futuro, não se encontrar com outras pessoas). No “situationship”, essa conversa ou nunca aconteceu ou é adiada conscientemente; uma das partes (às vezes ambas) mantém a ambiguidade de propósito, pois a clareza traz tanto responsabilidade quanto o risco de rejeição. Consequentemente, duas pessoas podem apresentar os mesmos comportamentos, mas ter expectativas muito diferentes uma da outra: enquanto uma pode achar que “isso está se transformando aos poucos em um relacionamento”, a outra pode pensar que “por enquanto está tudo bem, não há necessidade de conversar”.

Por que ficamos presos nisso?

O atrativo do “situationship” está justamente no fato de parecer um relacionamento de baixo risco. Se não há rótulo, parece que também não há expectativas, o que é reconfortante no início: você pode se aproximar de alguém sem sentir pressão e sem assumir a responsabilidade de um “relacionamento sério”. Mas, com o tempo, esse conforto se transforma em algo diferente: à medida que o tempo e os sentimentos investidos aumentam, buscar clareza se torna mais arriscado, pois agora há algo a perder (a versão do “equívoco do custo irrecuperável” nos relacionamentos). Por outro lado, a situação atual não é ruim, o que cria a sensação de “por que estragar tudo?”, podendo adiar a conversa para sempre.

Alguém que verifica com curiosidade uma notificação no celular
Alguém que verifica com curiosidade uma notificação no celular

Você está em um “situationship”? Os sinais

Alguns sinais são bastante típicos: os planos sempre são feitos de última hora, não se fala em nada a longo prazo (sempre “este fim de semana” em vez de “no mês que vem”); você não é apresentado aos círculos sociais da outra pessoa ou, mesmo que seja, não fica claro como você será definido; quando estão juntos, tudo flui naturalmente, mas, no momento em que surge a pergunta “o que somos?”, o clima muda; um de vocês (ou ambos) mantém aberta a possibilidade de se encontrar com outras pessoas, mas isso nunca é discutido. Um único sinal não significa nada, mas se vários forem observados juntos, provavelmente estão evitando uma conversa para definir o relacionamento.

Como abrir o “Discurso de Apresentação”?

A melhor maneira de tirar o medo dessa conversa é apresentá-la não como uma acusação, mas como uma curiosidade: a frase “Estou curioso para saber aonde você quer chegar com isso” abre um caminho muito diferente daquela que diz “por que você não me chama de ‘querido’?”. O momento certo também é importante: não pergunte no meio de uma discussão ou no quarto, mas sim em um momento em que ambos estejam tranquilos. Se a outra pessoa evitar dar uma resposta clara (se estiver sempre mudando de assunto ou se forse a questão dizendo “não sei, vamos deixar rolar”), isso já é uma resposta por si só.

Quando devo terminar?

O “situationship” em si não é ruim; nem todo mundo precisa querer um relacionamento definido a todo momento. O problema começa quando uma das partes quer algo mais, mas tem medo de dizer isso, e a outra, mesmo sabendo disso, nunca aborda o assunto; enquanto essa assimetria persistir, uma das pessoas sofre em silêncio. Se vocês tiveram a conversa para definir a situação e a outra pessoa disse claramente “não quero ir além disso”, mas você quer, ficar só prolonga o tempo de espera. O mesmo vale para o caso contrário: se você está satisfeito com a incerteza, mas a outra parte insiste em clareza, ser honesto é a maneira mais gentil para ambas as partes.

Perguntas Frequentes

Um “situationship” sempre acaba mal? Não. Alguns “situationships” se transformam naturalmente em um relacionamento com o tempo, e outros acabam sendo exatamente o que as pessoas envolvidas procuram (nem todo mundo quer se comprometer). O problema não está na situação em si, mas no fato de que não há garantia de que ambas as partes queiram a mesma coisa.

Uma conversa para esclarecer as coisas prejudica o relacionamento? Geralmente acontece exatamente o contrário: evitar a conversa prolonga a incerteza e acumula tensão; a conversa em si raramente é a causa do problema. A resposta pode não ser do seu agrado, mas pelo menos você saberá em que pé está.

“Situationship” e “sair com amigos” (algo além da amizade) são a mesma coisa? São parecidos, mas não são a mesma coisa; o segundo geralmente é uma dimensão física que se soma a uma amizade de longa data, enquanto o “situationship” geralmente começa com uma intenção romântica desde o início, mas nunca se define claramente.

O “situationship” é um estado de incerteza que perdura enquanto você não lhe der um nome. Às vezes, é uma parada intermediária tranquila, em que ninguém sai prejudicado; outras vezes, é uma longa sala de espera onde uma pessoa aguarda em silêncio. A única maneira de entender a diferença é, finalmente, fazer aquela pergunta temida.

Faça o teste relacionadoTeste de Compatibilidade do RelacionamentoPerguntas sobre comunicação, confiança e tempo compartilhado medem o quão sincronizado seu relacionamento realmente é.Iniciar o teste
Compartilhar